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3.09.2016

Amostragens de borboletas nocturnas na Serra do Sicó

Numa altura em que há cada vez uma maior sensibilidade para a importância de conhecer e conservar a "nossa" biodiversidade, surgiu-me, já há algum tempo, a ideia de fazer um inventário das borboletas de hábitos nocturnos que ocorrem no Sítio da Rede Natura 2000 Sicó/Alvaiázere. Esta é uma zona dominada por calcários e matagais mediterrânicos, sendo que alberga um grande número de espécies, incluindo várias endémicas e/ ou ameaçadas.
Com a ajuda imprescindível de várias pessoas lá se tem dado forma a esse projecto. Dessas pessoas, seja pelo ânimo e o esforço nas amostragens, seja pela ajuda com as identificações e a vital partilha de dados, tenho sem dúvida a destacar o Jorge Rosete, Ed, Isaías, Pedro Pires e Martin Corley.

Hoje, com o Ed, fez-se uma amostragem nas proximidades das Buracas do Casmilo (Condeixa-a-Nova). Registámos poucas espécies, somente 7, mas tendo em conta a época do ano e a temperatura baixa (a rondar os 7 ºC) o balanço final acaba por ser positivo. Além das espécies ilustradas, apareceu ainda um exemplar de Agriopis marginaria (Geometridae).

Valeria jaspidea (Noctuidae). A espécie mais abundante da noite, com cerca de 10 espécimes.

Xylocampa areola (Noctuidae)

Cerastis faceta (Noctuidae)

Orthosia gothica  (Noctuidae)

Biston strataria (Geometridae)

Trichiura ilicis (Lasiocampidae). A espécie mais interessante da noite.
A nossa "armadilha" que basicamente consiste numa luz UV que atrai um grande número de espécies.

3.23.2014

Ansião e Vale das Buracas do Casmilo

No dia 16 de Março fui dar um passeio até Ansião e, na parte da tarde, às Buracas do Casmilo, um local magnífico.

Este lepidóptero pertence à espécie Aphelia peramplana (Tortricidae). Os estados imaturos alimentam-se de plantas da família Asparagaceae, como por exemplo Urginea maritima na qual as lagartas enrolam as folhas para se protegerem. Esta foi registada em Ansião de onde também trouxe uma lagarta da mesma família que encontrei em Euphorbia characias.



Já no percurso das Buracas do Casmilo, parámos junto a um charco temporário e aproveitei para registar as P. perezi. Ao aumentar a foto, que tem pouca qualidade, reparei que estavam a ser sugadas por Ceratopogonidae.
 Esta família de Nematocera é constituída por espécies  pequenas que rondam entre 1 a 5 mm, são geralmente escuras e, na sua maioria, têm a capacidade de picar. Os adultos em muitos casos alimentam-se de néctar mas o sangue serve como fonte de proteína para a produção de ovos, pelo que são as fêmeas que picam. Podem alimentar-se do sangue de diversos animais, incluindo humanos e transmitir doenças.
As larvas desenvolvem-se numa grande variedade de habitats aquáticos, como charcos, rios, água acumulada em poças; havendo géneros que estão associados mais a habitats terrestres, incluindo ninhos de formigas.

Habitat (Charco temporário)

Deixo também aqui algumas das outras espécies que achámos. 

Lasiocampa quercus
Orchis conica
Polygonatum odoratum

3.10.2013

Ophrys pintoi

  No dia 3 de Março participei na saída de campo da AOSP para, entre outras coisas, observar a recentemente descrita Ophrys pintoi, uma miniatura da O. fusca que em algumas zonas surge em concentrações elevadas (contámos 40 exemplares num metro quadrado).

Variações de Ophrys pintoi 
Ophrys fusca 
 A minha favorita, observada no mesmo local:

Ophrys tenthredinifera


10.08.2012

Orquídea de Outono, Spiranthes spiralis (L.) Chevallier

 Visitei, há aproximadamente duas semanas, a Serra do Sicó em busca da Spiranthes spiralis, a última das orquídeas que se pode observar nos nossos campos por agora. Foi a primeira vez que a vi e devo agradeço-lo a duas pessoas, Joaquim Pessoa e Luísa Borges da AOSP, que muito amavelmente me guiaram.
 Achámos 3 espécimes quando, normalmente, se encontra um número consideravelmente superior além de exemplares mais desenvolvidos, é com certeza resultado da seca que afectou bastante, e como seria de esperar, plantas, insectos e todas as formas de vida que deles dependem.
                                                                                                                     
A S. spiralis tem como principais características, além da ocorrência tardia, o facto da floração ocorrer primeiro do que o desenvolvimento das folhas, assim como a disposição das flores ser em espiral.

 Também observámos:
Atractylis gummifera. As folhas desta planta encontram-se totalmente secas durante a floração.
Este coleóptero pertence à família Geotrupidae, podendo tratar-se do género Thorectes sp. ou  Jekelius sp. Chamou-me à atenção a cor azul metalizada das patas.