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5.06.2014

Field trip to Almería (Spain)

Here is a very small sample of the species that I was able to see in Almería. But there is much more.
Almería, situated in Andalusia, is one of the most biodiverse and interesting regions in Europe, including protected areas like the Tabernas Desert, Cabo de Gata and Sierra Nevada.
In 4 days we visited, with the essential help of Faluke, very different habitats and, of course, saw many of its unique and various endemic species.
I was very happy to finally see in the field both C. europaea (unfortunately it was already too late to see its flowers) and T. theophrastus; Cephalodromia sp. and C. melleus were a complete surprise.
Later, I will upload more pictures, a list with the species identified, and I will write a little about them.

Tarucus theophrastus, Cephalodromia sp., Cyrtisiopsis melleus, Caralluma europaea (fruits)

4.26.2014

Monte Barata


Passámos os dias 11, 12 e 13 de Abril pelo Monte Barata, situado no Tejo Internacional e adquirido pela Quercus em 1992.
Devo dizer que, além de muito bonito, é um local bastante interessante no que diz respeito à diversidade biológica.

Neste post vou falar um pouco sobre a área propriamente dita e,  nos próximos, irei destacar algumas espécies de invertebrados que tive a possibilidade de registar.




O Monte Barata, ao longo dos seus 420 hectares, tem variados habitats de cariz mediterrânico: a formação dominante é o montado de sobreiro (Q. suber) e azinheira (Q. rotundifolia), contando com matagais, rosmaninhais, galerias ripícolas; assim como olivais e pastagens.

O coberto arbustivo é constituído por giestas, tojos, estevas, mendronheiros, pilriteiros –  que quando em flor são excelentes para insectos polinizadores –  pereira-brava, incluindo ainda o tamujo (Flueggea tinctoria) que se trata de um endemismo ibérico.

Montado
Ribeira do Marmelal
Pilriteiro (Crataegus monogyna) em floração

Quanto à fauna, segundo o folheto informativo que nos ofereceram, no Monte existem identificadas até ao momento: 132 espécies de aves, 14 de mamíferos, 14 de répteis, 11 de anfíbios e 132 de insectos no geral (dos quais 94 são lepidoptera e 14 são odonata).
Claro que a lista dos insectos está muitíssimo aquém da verdadeira riqueza do local.

Aqui existem diversas espécies de vertebrados vulneráveis ou em perigo de extinção, tais como a cegonha-negra (Ciconia nigra), o abutre-preto (Aegypius monachus), o gato-bravo (Felis silvestris) e o morcego-de-ferradura-mediterrânico (Rhinolophus euryale).

Aegypius monachus. Esta ave necrófaga pode atingir 3 metros de envergadura e considera-se rara em Portugal, sendo que o lugar onde ocorre com maior frequência é, exactamente, o Tejo internacional.



3.23.2014

Ansião e Vale das Buracas do Casmilo

No dia 16 de Março fui dar um passeio até Ansião e, na parte da tarde, às Buracas do Casmilo, um local magnífico.

Este lepidóptero pertence à espécie Aphelia peramplana (Tortricidae). Os estados imaturos alimentam-se de plantas da família Asparagaceae, como por exemplo Urginea maritima na qual as lagartas enrolam as folhas para se protegerem. Esta foi registada em Ansião de onde também trouxe uma lagarta da mesma família que encontrei em Euphorbia characias.



Já no percurso das Buracas do Casmilo, parámos junto a um charco temporário e aproveitei para registar as P. perezi. Ao aumentar a foto, que tem pouca qualidade, reparei que estavam a ser sugadas por Ceratopogonidae.
 Esta família de Nematocera é constituída por espécies  pequenas que rondam entre 1 a 5 mm, são geralmente escuras e, na sua maioria, têm a capacidade de picar. Os adultos em muitos casos alimentam-se de néctar mas o sangue serve como fonte de proteína para a produção de ovos, pelo que são as fêmeas que picam. Podem alimentar-se do sangue de diversos animais, incluindo humanos e transmitir doenças.
As larvas desenvolvem-se numa grande variedade de habitats aquáticos, como charcos, rios, água acumulada em poças; havendo géneros que estão associados mais a habitats terrestres, incluindo ninhos de formigas.

Habitat (Charco temporário)

Deixo também aqui algumas das outras espécies que achámos. 

Lasiocampa quercus
Orchis conica
Polygonatum odoratum

3.15.2014

PNSAC e Salreu

Os campos já pululam de vida e há que aproveitar este tempo, por isso, no último dia 7 de Março fui até a Salreu e passei os dias 8 e 9 pelo Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, neste último com a companhia de Francisco Barros que por lá é vigilante da Natureza faz mais de duas décadas. Acompanhei-o na sua tarefa de monitorizar os algares onde nidificam as gralhas-de-bico-vermelho (Pyrrhocorax pyrrhocorax).

Antes de mais, começo por deixar alguns registos de insectos de Salreu. Um deles é esta mosca espectacular pertencente ao género Bicellaria (Hybotidae).


Poecilus sp.
Possivelmente Sphenophorus sp. (Rhynchophorinae)
Passando agora ao PNSAC, aqui está um registo das gralhas. Trata-se de uma espécie inconfundível que ocorre em poucos locais e que, infelizmente, é rara. As da foto são parte do bando que estava acompanhado por muitos estorninhos (Sturnus unicolor). 

Pyrrhocorax pyrrhocorax
Uma das melhores surpresas que tive foi achar um feto que há muito procurava: Ophioglossum lusitanicum. Passa facilmente despercebido por causa da diminuta dimensão, porém, o seu aspecto é muito característico. Em Portugal ocorre outra espécie do mesmo género, O. vulgatum, também, claro está, na minha lista de espécies a observar. 



Um outro feto bastante diferente do último e que por cá, dependendo das localizações, não é comum.
Phyllitis scolopendrium
Arabis sadina (Brassicaceae) e Narcissus calcicola (Amaryllidaceae) são dois endemismos lusitânicos e estão presentes no Parque.

Narcissus calcicola
Arabis sadina
Também pude observar alguns fósseis marinhos, entre eles, este ouriço-do-mar de fortes espinhos.




2.24.2014

Mata da Margaraça (PPSA)

Quando pensei em visitar a mata da Margaraça, localizada na Serra do Açor, pesquisei um pouco sobre os seus valores naturais e, repetidamente, li que se trata de uma relíquia da flora autóctone da região centro. Sem dúvida que o é.
Numa zona cada vez mais alterada por monoculturas e espécies invasoras, esta mata é um precioso reduto de biodiversidade.

Foi muito agradável percorre-la e embrenhar-me por entre as árvores, pisar a densa manta morta, atentamente descobrir os mais interessantes seres vivos (incluindo a espécie que motivou a saída). Enfim, apenas lembrar-me de que é um espaço tão pequeno e rodeado por zonas tão modificadas, pôde minimizar a alegria.

O estrato arbóreo deste bosque é dominado por Quercus robur e Castanea sativa mas a flora em geral, incluindo outras árvores e arbustos, é bastante diversa: Prunus lusitanica, Corylus avellana, A. unedo, Ilex aquifolium, Viburnum tinus, uma infinidade de fetos, muitas Primula acaulis em floração, Fragaria vescaViola riviniana...

Ilex aquifolium
Rhamphomyia sp. a polinizar Saxifraga granulata
Inúmeros líquenes e musgos cobrem totalmente os troncos das árvores. Pode observar-se, entre outros, Lobaria pulmonaria e Usnea sp.


Os excrementos e cadáveres funcionam como microhabitats instáveis e efémeros que, em pouco tempo, congregam e suportam diversos seres vivos, sobretudo dípteros e coleópteros, dos quais Trox perlatus, muito comum por esta altura, é um exemplo.

Trox perlatus sobre o cadáver de um pequeno mamífero
Este fungo saprófita de intensa cor azul tem distribuição mundial. Os Collembola quase passam despercebidos...


Plectania melastoma, um outro fungo bastante diferente mas igualmente bonito.


E, para terminar, uma larva de Salamandra salamandra.

As restantes fotos estão aqui.




2.15.2014

Saída de Campo a Cantanhede

Hoje foi dia de saída de campo com a AOSP e foi em geral bastante agradável, com largos períodos de sol e temperaturas amenas (apesar de não termos escapado a algum vento gelado e aguaceiros no final da tarde).

Visitaram-se duas zonas tipicamente calcárias e pedregosas, ambas pertencentes a Cantanhede, cuja flora é constituída por diversas plantas, das quais destaco Quercus lusitanica e Q. faginea,  Pinus pinea, Olea europaea var. sylvestrisPistacia lentiscus, Crataegus monogyna, Lonicera spp., Eryngium dilatatum, Ruta montana, Rumex spp., Helichrysum sp., Thymus spp.,  densos tapetes de Sphagnum spp. (além de líquenes igualmente vistosos como Cladonia spp.) e, o que mais me fascinou: um grande número de espécimes de Iris subbiflora.  Na segunda população que encontrámos, alguns exemplares já estavam em floração e, naquele momento, eram sobretudo polinizados por Episyrphus balteatus.

Iris subbiflora


Zambujeiro,  Olea europaea var. sylvestris


Quanto às orquídeas, havia muitos exemplares de Ophrys pintoi – a miniatura da O. fusca que refiro neste post –  em ambos os locais que percorremos, tanto já com flor como apenas as rosetas.  Algumas Ophrys tenthredinifera também já davam sinais de em breve entrarem em floração.
As restantes espécies estavam ainda sem pedúnculo, tais como a Neotinea maculata,  o que presumimos ser Aceras anthropophorum e possivelmente também Ophrys apifera.

Ophrys tenthredinifera















Ophrys pintoi
Já quase no final, encontrei uma tentativa de cópula de Brachycerus sp. Curiosamente, a fêmea estava já morta (e não é por fingimento como no caso do macho)...



2.06.2014

Tive uma breve pausa nos exames e passei o fim-de-semana de 25 e 26 de Janeiro por casa. Claro que aproveitei para passar o meu tempo livre no campo.
Os campos já começam a estar floridos e a Primavera parece estar cada vez mais próxima. Mal posso esperar! Entretanto, estas chuvas são muito úteis, como para os charcos temporários.
O seguinte foi registado na zona de Tomar, na Primavera passada e, para além de uma miríade de invertebrados, é também habitat de Triturus marmoratus e Lissotriton boscai.

11.25.2013

  Perto de casa tenho um pequeno bosque onde dominam Quercus suber e Quercus coccifera, havendo arbustos como Arbutus unedoPistacia lentiscus, Myrtus communis, ... Exceptuando as ainda mais diminutas galerias rípicolas, é um dos únicos locais arborizados e sem impactes visíveis de origem antropogénica da minha zona; é por isso também um dos meus favoritos.

Aspecto geral, é possível ver os frutos de A. unedo.
Nesta altura,  surgem as frágeis Acis autumnalis e uma considerável diversidade de macrofungos, como as Russula spp, Boletus spp, Ramaria spp,... que em conjunto com os frutos caídos dos medronheiros pintam o solo de diversas cores.



No último dia, dediquei algum tempo aos macrofungos e, na maior parte, encontrei invertebrados a alimentar-se do carpóforo. Estavam vários diplópodes na base do pé de um Lactarius sp., dezenas de Collembola noutro; Staphylinidae em Russula spp. em decomposição, etc...

Polydesmus sp. a alimentar-se da base do pé de Lactarius sp.


9.24.2013

Serra da Estrela

 Last weekend we travelled to Serra da Estrela, the highest mountain range in mainland Portugal. During two days we had the opportunity to visit various places along the mountain and have a better insight of its biodiversity.
The main objective was to collect flies but much more was observed.

  The upper belt has a characteristic set of plant communities and a rich variety of lichens (something like 250 species). Some examples are Lasallia cf. pustulata and Rhizocarpon cf. geographicum.

Merendera montana, a very interesting plant that lacks visible foliage during flowering...and if you pay attention there is also one specimen of Oedipoda coerulea next to it. 

7.18.2013

Hybrid between Ophrys tenthredinifera and Ophrys speculum

  Well, with the studies and other duties, I seldom have time to post here but there are many things from the last months that I'd like to show. Let's start with this orchid, found by Joaquim Pessoa (AOSP). I think that's one of the most beautiful hybrids that I ever saw!  
  The habitat, a scrubland, was composed by Cytisus sp., Pistacia lentiscus and other common plants. I saw many Diptera (a lot of Platypalpus spp.) and also amphibians, like Hyla arborea hiding in the middle of the bushes.  Picture taken in April, 2013


4.17.2013


   Os insectos possuem uma papel vital na polinização biótica de um grande número de plantas. Estas para os atraírem fazem uso de uma miríade de odores, cores e formas...Algumas oferecem uma recompensa, tal como o néctar ou o próprio pólen que servem de alimento, enquanto que noutras tudo se resume a um embuste sem qualquer vantagem para o insecto, como é o caso muito conhecido das do género Ophrys.
   Também os Arum são mestres no engano: produzem um odor que atraí diversos insectos (sobretudo moscas)...que acabam presos no interior da planta. Tudo isto porque os Arum são plantas monóicas, ou seja, a mesma planta possui os 2 sexos, mas é conveniente evitar a auto-polinização, assim, recorrem à maturação diferenciada dos órgãos reprodutores, sendo que na mesma população isso varia de indivíduo para indivíduo de forma a tornar possível a polinização cruzada.
   As moscas desta foto são Phoridae, tal como a maior parte dos indivíduos que encontrei (são aqueles filamentos mais claros que impedem que alcancem a saída, mais tarde estes hão-de murchar).


3.10.2013

Ophrys pintoi

  No dia 3 de Março participei na saída de campo da AOSP para, entre outras coisas, observar a recentemente descrita Ophrys pintoi, uma miniatura da O. fusca que em algumas zonas surge em concentrações elevadas (contámos 40 exemplares num metro quadrado).

Variações de Ophrys pintoi 
Ophrys fusca 
 A minha favorita, observada no mesmo local:

Ophrys tenthredinifera


10.08.2012

Orquídea de Outono, Spiranthes spiralis (L.) Chevallier

 Visitei, há aproximadamente duas semanas, a Serra do Sicó em busca da Spiranthes spiralis, a última das orquídeas que se pode observar nos nossos campos por agora. Foi a primeira vez que a vi e devo agradeço-lo a duas pessoas, Joaquim Pessoa e Luísa Borges da AOSP, que muito amavelmente me guiaram.
 Achámos 3 espécimes quando, normalmente, se encontra um número consideravelmente superior além de exemplares mais desenvolvidos, é com certeza resultado da seca que afectou bastante, e como seria de esperar, plantas, insectos e todas as formas de vida que deles dependem.
                                                                                                                     
A S. spiralis tem como principais características, além da ocorrência tardia, o facto da floração ocorrer primeiro do que o desenvolvimento das folhas, assim como a disposição das flores ser em espiral.

 Também observámos:
Atractylis gummifera. As folhas desta planta encontram-se totalmente secas durante a floração.
Este coleóptero pertence à família Geotrupidae, podendo tratar-se do género Thorectes sp. ou  Jekelius sp. Chamou-me à atenção a cor azul metalizada das patas.

9.05.2012

Asplenium ruta-muraria Linnaeus

  Foi com alegria que descobri, já no passado mês de maio, este bonito feto na Serra de Aire e Candeeiros.
 Apesar de se julgar pouco comum em Portugal, por aí é possível encontrar diversos exemplares em fissuras de rochas, sobretudo as calcárias.
 Para se saber mais sobre a espécie o ideal é ler o seguinte artigo:
 http://dias-com-arvores.blogspot.pt/2011/02/arruda-da-pedra-partida.html

8.20.2012

Turfeiras e matos húmidos em Ourém

  Participei ontem numa actividade da Ciência Viva que consistiu numa visita às turfeiras e matos húmidos de Ourém, mais concretamente de Caxarias, sob a excelente orientação de Marco Jacinto da Sociedade Portuguesa de Botânica.
  Ao longo de aproximadamente 3h muito se viu e aprendeu num local onde, à primeira vista, eu não diria existir este tipo de ambiente, aliás, as turfeiras que visitámos fogem um pouco à noção de "turfeira" a que muitos estão habituados, situando-se, a título de exemplo, uma delas num declive. Isto tornou a visita ainda mais interessante.
  Foi, acima de tudo, uma surpresa encontrar tanta variedade de espécies de plantas num local que, infelizmente, se encontra sob o risco de desaparecer. Gostei de ver duas espécies de plantas insectívoras, Drosera intermedia e Pinguicula lusitanica, assim como vários exemplares de Erica tetralix, considerada rara.

  Aqui seguem alguns registos:

Drosera intermedia e Anagallis tenella 
Pinguicula lusitanica
Erica tetralix
Erica ciliaris