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4.28.2014

Cleptoparasitismo

Para mim,  as interacções mais interessantes entre os seres vivos são as do género da que relato seguidamente.
Peço apenas desculpa pela parca qualidade dos registos.

Vimos diversos Scarabeus laticollis a fazer rolar bolas de excrementos para serem posteriormente colocadas em buracos escavados no solo. Quando a fêmea está pronta para se reproduzir, a função destes excrementos é a de servir de alimento para as larvas.

No entanto, as larvas de Scarabeus  não serão as únicas a alimentar-se: é que muitos Sphaeroceridae estavam atentos e também eles prontos a colocar aí a sua descendência.

Na foto pode ver-se, com alguma boa vontade, as moscas em torno do atarefado escaravelho.
É um exemplo de cleptoparasitismo interespecífico (entre 2 espécies distintas)  Ou seja, um indivíduo rouba um recurso a outro que, sozinho, não poderia obter (ou gastaria muitos meios para tal).

Sphaeroceridae

Scarabeus laticollis, sendo possível observar uma mosca sobre os élitros.


3.15.2014

PNSAC e Salreu

Os campos já pululam de vida e há que aproveitar este tempo, por isso, no último dia 7 de Março fui até a Salreu e passei os dias 8 e 9 pelo Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, neste último com a companhia de Francisco Barros que por lá é vigilante da Natureza faz mais de duas décadas. Acompanhei-o na sua tarefa de monitorizar os algares onde nidificam as gralhas-de-bico-vermelho (Pyrrhocorax pyrrhocorax).

Antes de mais, começo por deixar alguns registos de insectos de Salreu. Um deles é esta mosca espectacular pertencente ao género Bicellaria (Hybotidae).


Poecilus sp.
Possivelmente Sphenophorus sp. (Rhynchophorinae)
Passando agora ao PNSAC, aqui está um registo das gralhas. Trata-se de uma espécie inconfundível que ocorre em poucos locais e que, infelizmente, é rara. As da foto são parte do bando que estava acompanhado por muitos estorninhos (Sturnus unicolor). 

Pyrrhocorax pyrrhocorax
Uma das melhores surpresas que tive foi achar um feto que há muito procurava: Ophioglossum lusitanicum. Passa facilmente despercebido por causa da diminuta dimensão, porém, o seu aspecto é muito característico. Em Portugal ocorre outra espécie do mesmo género, O. vulgatum, também, claro está, na minha lista de espécies a observar. 



Um outro feto bastante diferente do último e que por cá, dependendo das localizações, não é comum.
Phyllitis scolopendrium
Arabis sadina (Brassicaceae) e Narcissus calcicola (Amaryllidaceae) são dois endemismos lusitânicos e estão presentes no Parque.

Narcissus calcicola
Arabis sadina
Também pude observar alguns fósseis marinhos, entre eles, este ouriço-do-mar de fortes espinhos.




2.24.2014

Mata da Margaraça (PPSA)

Quando pensei em visitar a mata da Margaraça, localizada na Serra do Açor, pesquisei um pouco sobre os seus valores naturais e, repetidamente, li que se trata de uma relíquia da flora autóctone da região centro. Sem dúvida que o é.
Numa zona cada vez mais alterada por monoculturas e espécies invasoras, esta mata é um precioso reduto de biodiversidade.

Foi muito agradável percorre-la e embrenhar-me por entre as árvores, pisar a densa manta morta, atentamente descobrir os mais interessantes seres vivos (incluindo a espécie que motivou a saída). Enfim, apenas lembrar-me de que é um espaço tão pequeno e rodeado por zonas tão modificadas, pôde minimizar a alegria.

O estrato arbóreo deste bosque é dominado por Quercus robur e Castanea sativa mas a flora em geral, incluindo outras árvores e arbustos, é bastante diversa: Prunus lusitanica, Corylus avellana, A. unedo, Ilex aquifolium, Viburnum tinus, uma infinidade de fetos, muitas Primula acaulis em floração, Fragaria vescaViola riviniana...

Ilex aquifolium
Rhamphomyia sp. a polinizar Saxifraga granulata
Inúmeros líquenes e musgos cobrem totalmente os troncos das árvores. Pode observar-se, entre outros, Lobaria pulmonaria e Usnea sp.


Os excrementos e cadáveres funcionam como microhabitats instáveis e efémeros que, em pouco tempo, congregam e suportam diversos seres vivos, sobretudo dípteros e coleópteros, dos quais Trox perlatus, muito comum por esta altura, é um exemplo.

Trox perlatus sobre o cadáver de um pequeno mamífero
Este fungo saprófita de intensa cor azul tem distribuição mundial. Os Collembola quase passam despercebidos...


Plectania melastoma, um outro fungo bastante diferente mas igualmente bonito.


E, para terminar, uma larva de Salamandra salamandra.

As restantes fotos estão aqui.




2.15.2014

Saída de Campo a Cantanhede

Hoje foi dia de saída de campo com a AOSP e foi em geral bastante agradável, com largos períodos de sol e temperaturas amenas (apesar de não termos escapado a algum vento gelado e aguaceiros no final da tarde).

Visitaram-se duas zonas tipicamente calcárias e pedregosas, ambas pertencentes a Cantanhede, cuja flora é constituída por diversas plantas, das quais destaco Quercus lusitanica e Q. faginea,  Pinus pinea, Olea europaea var. sylvestrisPistacia lentiscus, Crataegus monogyna, Lonicera spp., Eryngium dilatatum, Ruta montana, Rumex spp., Helichrysum sp., Thymus spp.,  densos tapetes de Sphagnum spp. (além de líquenes igualmente vistosos como Cladonia spp.) e, o que mais me fascinou: um grande número de espécimes de Iris subbiflora.  Na segunda população que encontrámos, alguns exemplares já estavam em floração e, naquele momento, eram sobretudo polinizados por Episyrphus balteatus.

Iris subbiflora


Zambujeiro,  Olea europaea var. sylvestris


Quanto às orquídeas, havia muitos exemplares de Ophrys pintoi – a miniatura da O. fusca que refiro neste post –  em ambos os locais que percorremos, tanto já com flor como apenas as rosetas.  Algumas Ophrys tenthredinifera também já davam sinais de em breve entrarem em floração.
As restantes espécies estavam ainda sem pedúnculo, tais como a Neotinea maculata,  o que presumimos ser Aceras anthropophorum e possivelmente também Ophrys apifera.

Ophrys tenthredinifera















Ophrys pintoi
Já quase no final, encontrei uma tentativa de cópula de Brachycerus sp. Curiosamente, a fêmea estava já morta (e não é por fingimento como no caso do macho)...



2.06.2014

Tive uma breve pausa nos exames e passei o fim-de-semana de 25 e 26 de Janeiro por casa. Claro que aproveitei para passar o meu tempo livre no campo.
Os campos já começam a estar floridos e a Primavera parece estar cada vez mais próxima. Mal posso esperar! Entretanto, estas chuvas são muito úteis, como para os charcos temporários.
O seguinte foi registado na zona de Tomar, na Primavera passada e, para além de uma miríade de invertebrados, é também habitat de Triturus marmoratus e Lissotriton boscai.

12.23.2013

Welcome Winter

No dia 22 de Dezembro, participei numa armadilhagem para borboletas nocturnas na Serra da Lousã. O local, que desconhecia até à data, foi o Terreiro das Bruxas. Como já chegámos de noite não pude observar muito bem o meio envolvente mas, quanto ao que pude ver, é um habitat dominado por Pinus pinaster, com vários espécimes de Castanea sativa e de Quercus robur, além das invasoras Acacia spp. É de referir, aliás, que a Serra da Lousã se encontra deveras afectada pelo problema das espécies invasoras.

A temperatura esteve relativamente amena para a época do ano (aproximadamente 6 ºC) e observámos, ao todo, 9 espécies diferentes. Entre elas, 10 machos de Poecilocampa populi, um lepidóptero típico desta altura e que em inglês tem o nome de December Moth. A Serra da Lousã é uma nova localização para esta espécie.

A lista de espécies é a seguinte: 
Agrochola lychnidis (1)
A. blindaensis (6)
Epirrita sp. (4)
Watsonala uncinula (2)
Chesias legatella (1)
Poecilocampa populi (10)
Conistra vaccinii (1)
Pachycnemia tibiaria (1)
Choloclysta siterata (aprox. 8)

Tenho a agradecer ao Pedro Pires e à Tatiana Moreira pela oportunidade em os acompanhar nesta saída que, de resto, se revelou muito prolífica. Sem dúvida que armadilhar nesta altura do ano compensa.

Claro que nem tudo foram lepidópteros: aproveitei para explorar um pouco em redor e encontrei 2 S. salamandra e um Carabus cf. amplipennis, cujo registo aqui fica.




9.18.2013

Interactions



Trichodes octopunctatus preying a cuckoo wasp (Chrysididae) while an incautious Oxythyrea funesta passes by. Below all the action, there was a spider, Mangora acalypha, that received small parts of the wasp.  (April, 2013)

7.20.2013

Cicindela sp.

  The larvae of Cicindela spp. are carnivorous. They construct funnel-shaped burrows and wait for preys with their head and pronotum visible, closing the entrance. This one in particular was found in Salreu, Aveiro, and started a very prolific day.
  The picture itself is one of the first tries with a new camera (Fujifilm HS30) and lens borrowed from a friend. I hope to finally be able to take pictures to small flies, like Hybotidae and Dolichopodidae, in the near future :-)



10.08.2012

Orquídea de Outono, Spiranthes spiralis (L.) Chevallier

 Visitei, há aproximadamente duas semanas, a Serra do Sicó em busca da Spiranthes spiralis, a última das orquídeas que se pode observar nos nossos campos por agora. Foi a primeira vez que a vi e devo agradeço-lo a duas pessoas, Joaquim Pessoa e Luísa Borges da AOSP, que muito amavelmente me guiaram.
 Achámos 3 espécimes quando, normalmente, se encontra um número consideravelmente superior além de exemplares mais desenvolvidos, é com certeza resultado da seca que afectou bastante, e como seria de esperar, plantas, insectos e todas as formas de vida que deles dependem.
                                                                                                                     
A S. spiralis tem como principais características, além da ocorrência tardia, o facto da floração ocorrer primeiro do que o desenvolvimento das folhas, assim como a disposição das flores ser em espiral.

 Também observámos:
Atractylis gummifera. As folhas desta planta encontram-se totalmente secas durante a floração.
Este coleóptero pertence à família Geotrupidae, podendo tratar-se do género Thorectes sp. ou  Jekelius sp. Chamou-me à atenção a cor azul metalizada das patas.

8.26.2012

Lucanus barbarossa Fabricius, 1801

Macho
  Habita galerias rípicolas e florestas de caducifólias, sobretudo de quercíneas - mais um motivo pelo qual manter florestas autóctones bem preservadas é importante - tem hábitos nocturnos e pode encontrar-se debaixo de árvores, entre as folhas caídas, ou perto de candeeiros, atraída pela luz. Também se pode ver, ainda que mais raramente, ao crepúsculo, sendo esse o caso do exemplar da foto. As larvas são xilófagas, alimentam-se de madeira em decomposição.
 Quanto ao dimorfismo sexual, o macho possui mandíbulas mais proeminentes e a cabeça é comparativamente maior do que a da fêmea.


  Para fazer a distinção entre a fêmea de Lucanus cervus Lucanus barbarossa há que ter em atenção as seguintes características: os exemplares da primeira espécie possuem 4 lâminas nas antenas enquanto que os da segunda possuem 6, com menos frequência 7. O pronoto em L. cervus é arredondado enquanto que em  L. barbarossa é angular , o pontilhado dos élitros é menos evidente na primeira espécie e também a cor difere,  sendo castanho-avermelhados em L. cervus e pretos em L. barbarossa.

4.30.2012

Cossyphus sp.

  Este Tenebrionidae, de forma deveras curiosa, pode encontrar-se na Primavera debaixo de pedras em zonas com alguma humidade. 

2.11.2012

Copris hispanus Linnaeus, 1764 e Oryctes nasicornis Linnaeus, 1746

Copris hispanus
  O nome vulgar desta espécie é, por razões óbvias, Escaravelho-rinocerente, designação que partilha com espécies como Oryctes nasicornis. Pertencem, no entanto, a famílias diferentes: C. hispanus à Scarabaeidae e O. naricornis à Dynastidae.
  Julgo que raramente ambas se confundam mas aqui seguem algumas das diferenças: C. hispanus possui estrias nos élitros enquanto que os de O. nasicornis são completamente lisos. Também os da primeira espécie são negros enquanto que os da segunda apresentam uma coloração acastanhada, algo semelhante à dos élitros dos L. cervus. A primeira espécie é ainda bastante menor do que a segunda.


Fêmea de O. nasicornis. Note-se a ausência do característico "corno", apenas presente nos machos.

  

2.08.2012

Dorcus parallelipipedus Linnaeus, 1758


Fêmea
  Aparentado com o inconfundível Lucanus cervus  este Lucanídeo de pequenas dimensões é mais uma jóia entomológica da nossa fauna. O espécime da foto abaixo trata-se de um macho tal como se pode comprovar, sobretudo, pelo tamanho das mandíbulas, maiores e bastante mais curvadas do que as da fêmea, assim como pelo tamanho da cabeça, igualmente maior no caso deste.