12.22.2012

Um tesouro do Buçaco...

  Na Mata do Buçaco (ou Bussaco, como vos aprouver), especialmente em noites húmidas, encontra-se um endemismo ibérico especial: trata-se da salamandra-lusitânica, Chioglossa lusitanica, um anfíbio que, por possuir pulmões vestigiais, necessita de águas bastante límpidas e oxigenadas para sobreviver. Também aprecia vegetação e esconderijos em abundância, coisa que não falta por ali...
  Por causa do seu corpo esguio é um animal bastante rápido, não tendo nada a ver, por exemplo, com as pachorrentas Salamandra salamandra. Quando acossada por algum predador, caso não haja grande hipótese de fuga, possui um mecanismo de defesa quase ímpar nos anfíbios mas bastante comum em répteis: solta a cauda! Na Europa, mais concretamente no Cáucaso, existe a salamandra Mertensiella caucasica que é capaz do mesmo feito.
  Em Portugal, a C. lusitanica distribui-se por todo o noroeste, tendo por limite sul o rio Tejo.





  E já que referi a Salamandra salamandra, aqui fica um exemplar que apresenta manchas em forma de ferradura, algo curioso. Encontrado na mesma noite, claro.




11.17.2012

Outono

  Todas as estações do ano têm o seu encanto e o Outono é para mim, a par com a Primavera, a mais bonita. É neste altura que chegam as chuvas abundantes - pelo menos assim se espera - que proporcionam as condições necessárias para que o ano que se avizinha seja próspero em biodiversidade.
Vale do Rossim
  Claro que os dias se tornam mais curtos e que não se encontra tanta diversidade como anteriormente, no entanto, há seres vivos que beneficiam com as características próprias desta estação e são por isso mais fáceis de observar.
   É o caso dos cogumelos que, apesar de existirem durante todo o ano, se encontram em quantidade superior no Outono. As fotografias seguintes foram tiradas na saída de campo de iniciação à identificação de cogumelos, do dia 27 de Outubro, organizada pelo CERVAS.


Laccaria amethystina




Mycena rosea


Clitocybe odora 
Amanita muscaria
Apesar de ser um cogumelo tóxico para nós é consumido por outros animais, como, por exemplo, as lesmas.


10.08.2012

Orquídea de Outono, Spiranthes spiralis (L.) Chevallier

 Visitei, há aproximadamente duas semanas, a Serra do Sicó em busca da Spiranthes spiralis, a última das orquídeas que se pode observar nos nossos campos por agora. Foi a primeira vez que a vi e devo agradeço-lo a duas pessoas, Joaquim Pessoa e Luísa Borges da AOSP, que muito amavelmente me guiaram.
 Achámos 3 espécimes quando, normalmente, se encontra um número consideravelmente superior além de exemplares mais desenvolvidos, é com certeza resultado da seca que afectou bastante, e como seria de esperar, plantas, insectos e todas as formas de vida que deles dependem.
                                                                                                                     
A S. spiralis tem como principais características, além da ocorrência tardia, o facto da floração ocorrer primeiro do que o desenvolvimento das folhas, assim como a disposição das flores ser em espiral.

 Também observámos:
Atractylis gummifera. As folhas desta planta encontram-se totalmente secas durante a floração.
Este coleóptero pertence à família Geotrupidae, podendo tratar-se do género Thorectes sp. ou  Jekelius sp. Chamou-me à atenção a cor azul metalizada das patas.

9.05.2012

Asplenium ruta-muraria Linnaeus

  Foi com alegria que descobri, já no passado mês de maio, este bonito feto na Serra de Aire e Candeeiros.
 Apesar de se julgar pouco comum em Portugal, por aí é possível encontrar diversos exemplares em fissuras de rochas, sobretudo as calcárias.
 Para se saber mais sobre a espécie o ideal é ler o seguinte artigo:
 http://dias-com-arvores.blogspot.pt/2011/02/arruda-da-pedra-partida.html

8.26.2012

Lucanus barbarossa Fabricius, 1801

Macho
  Habita galerias rípicolas e florestas de caducifólias, sobretudo de quercíneas - mais um motivo pelo qual manter florestas autóctones bem preservadas é importante - tem hábitos nocturnos e pode encontrar-se debaixo de árvores, entre as folhas caídas, ou perto de candeeiros, atraída pela luz. Também se pode ver, ainda que mais raramente, ao crepúsculo, sendo esse o caso do exemplar da foto. As larvas são xilófagas, alimentam-se de madeira em decomposição.
 Quanto ao dimorfismo sexual, o macho possui mandíbulas mais proeminentes e a cabeça é comparativamente maior do que a da fêmea.


  Para fazer a distinção entre a fêmea de Lucanus cervus Lucanus barbarossa há que ter em atenção as seguintes características: os exemplares da primeira espécie possuem 4 lâminas nas antenas enquanto que os da segunda possuem 6, com menos frequência 7. O pronoto em L. cervus é arredondado enquanto que em  L. barbarossa é angular , o pontilhado dos élitros é menos evidente na primeira espécie e também a cor difere,  sendo castanho-avermelhados em L. cervus e pretos em L. barbarossa.

8.22.2012

Shargacucullia lychnitis Rambur, 1833

  S. lychnitis é uma espécie de lepidóptero de hábitos nocturnos considerada rara e com poucos registos em Portugal. As lagartas alimentam-se de Verbascum spp. e encontram-se em zonas quentes e expostas.
  Há dois meses achei cinco indivíduos a alimentarem-se de Verbascum virgatum.

Predação por Runcinia grammica 




8.20.2012

Turfeiras e matos húmidos em Ourém

  Participei ontem numa actividade da Ciência Viva que consistiu numa visita às turfeiras e matos húmidos de Ourém, mais concretamente de Caxarias, sob a excelente orientação de Marco Jacinto da Sociedade Portuguesa de Botânica.
  Ao longo de aproximadamente 3h muito se viu e aprendeu num local onde, à primeira vista, eu não diria existir este tipo de ambiente, aliás, as turfeiras que visitámos fogem um pouco à noção de "turfeira" a que muitos estão habituados, situando-se, a título de exemplo, uma delas num declive. Isto tornou a visita ainda mais interessante.
  Foi, acima de tudo, uma surpresa encontrar tanta variedade de espécies de plantas num local que, infelizmente, se encontra sob o risco de desaparecer. Gostei de ver duas espécies de plantas insectívoras, Drosera intermedia e Pinguicula lusitanica, assim como vários exemplares de Erica tetralix, considerada rara.

  Aqui seguem alguns registos:

Drosera intermedia e Anagallis tenella 
Pinguicula lusitanica
Erica tetralix
Erica ciliaris




Parque Biológico de Gaia


Quercus robur
    Normalmente não aprecio locais onde se mantenham animais selvagens em cativeiro por, em muitos casos, não respeitarem sequer a suas necessidades mais básicas mas, a meu ver, o Parque Biológico de Gaia é uma óptima excepção.
  Não só os animais vivem em condições adequadas - possuem espaços amplos, limpos, de acordo com a seu habitat natural, não demasiado expostos ao público e com zonas onde se podem refugiar (o bem estar do animal não é sacrificado em prol do observador) - como é transmitida a necessidade de conservação da nossa biodiversidade. No Parque existe um centro de recuperação de animais selvagens, é possível ver neste momento logo ao início do percurso exemplares de Peneireiro-cinzento, Elanus caeruleus, e de Bufo-pequeno, Asio otus, irrecuperáveis; e faz parte do Projeto LIFE Trachemys tendo por lá nascido 3 crias de Emys orbicularis no ano passado. Também se podem observar as invasoras que estão na origem da necessidade em criar o Projecto.
 Outro facto a assinalar é que o Parque conta com uma enorme variedade de espécies, sobretudo Aves e Mamíferos, e representa bem a esse nível o território nacional pelo que quem o visita fica com uma ideia mais alargada das espécies, nativas do nosso país, relativas a estes dois grupos de animais. Quanto a mim, de entre as espécies de Aves que lá se podem ver gosto em especial do Alcaravão, Burhinus oedicnemus.

Burhinus oedicnemus
   O próprio ambiente envolvente é muito atractivo porque ao longo de todo o espaço se vêem árvores e arbustos autóctones assim como a fauna que aí habita em liberdade. É o caso dos facilmente observáveis Esquilos-vermelhos, Sciurus vulgaris, e ainda o dos mais esquivos como as Doninhas, Mustela nivalis. Na época certa ainda se observam diversas espécies de anfíbios (já encontrei Lissotriton boscai) e, com alguma sorte, espécies de insectos bastante interessantes como Lucanus cervus e a rara Apatura ilia.     
  Espécies mais comuns são Erica cinerea e Podarcis bocagei que tive a possibilidade de registar:






8.13.2012

Alytes obstetricans Laurenti, 1768









  O juvenil da foto, a par com um macho e uma fêmea, foi encontrado na área do Planato Superior da Serra da Estrela, local bastante afectado pela 
quitridiomicose (doença fatal causada pelo fungo Batrachotridium dendrobatidis). Este facto é uma boa notícia pois julgava-se que já não existissem nessa zona. Esperemos que os exemplares encontrados sobrevivam e se consigam reproduzir ainda que a situação não seja minimamente favorável.

7.31.2012

Argiope bruennichi Scopoli, 1772

  É agora bastante comum encontrar entre as ervas ressequidas esta espectacular aranha cuja coloração do abdómen se assemelha à de uma vespa. São caçadoras exímias e mal um insecto toca na teia lança-se num rápido salto sobre ele, envolve-o numa malha de seda e devora-o em poucos momentos. Foi o que testemunhei com a pequena mosca que a A. bruennichi fêmea, da imagem acima, capturou.

Macho do lado esquerdo e fêmea do direito.

  O dimorfismo sexual é bastante acentuado: o macho é muito menor e menos colorido. Na época de reprodução vagueia à procura de uma potencial parceira e assim que a encontra é extremamente cauteloso para não ser tomado por presa.
  O macho da fotografia acima esperou que a fêmea capturasse uma incauta Apis mellifera para se aproximar um pouco mais mas, na verdade, raramente um macho sobrevive após o acasalamento.

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