8.12.2014

Poecilobothrus nobilitatus (Dolichopodidae): a new species for Portugal

Poecilobothrus nobilitatus belongs to the family of the long-legged flies, Dolichopodidae, and it's easily recognized by the white tips of its wings, which is a caracter only present in males who use it to court the females. This beautiful species can be found in damp places and it seems to be common where it occurs.
Here, in Portugal, we found it for the first time in Montesinho Natural Park (it was also the first time I visited the region).

Male with its characteristic wings
Female

Habitat

7.07.2014

Palinoecologia



Decidi escrever um pouco sobre Palinologia, em concreto sobre Palinoecologia, uma vez que é um assunto que para mim tem bastante interesse e que, além disso, envolve uma importante componente ecológica que relaciona a botânica e a entomologia.

Grãos de pólen. Ilustração de Wodehouse (1950). 

5.06.2014

Field trip to Almería (Spain)

Here is a very small sample of the species that I was able to see in Almería. But there is much more.
Almería, situated in Andalusia, is one of the most biodiverse and interesting regions in Europe, including protected areas like the Tabernas Desert, Cabo de Gata and Sierra Nevada.
In 4 days we visited, with the essential help of Faluke, very different habitats and, of course, saw many of its unique and various endemic species.
I was very happy to finally see in the field both C. europaea (unfortunately it was already too late to see its flowers) and T. theophrastus; Cephalodromia sp. and C. melleus were a complete surprise.
Later, I will upload more pictures, a list with the species identified, and I will write a little about them.

Tarucus theophrastus, Cephalodromia sp., Cyrtisiopsis melleus, Caralluma europaea (fruits)

Ciclo de vida de Euchloe crameri

(clicar para ampliar)

Esta espécie, comum em Portugal, é bivoltina, ocorre em 2 gerações entre Março e Julho. As lagartas alimentam-se de plantas da família das Brassicaceae (que inclui, por exemplo, as couves) e as que encontrei no Monte Barata alimentavam-se de Brassica barrelieri.
Encontra-se distribuída por todo o território português e habita prados, matagais, zonas rochosas, entre outros habitats mediterrânicos.

O ciclo de vida desta espécie aqui ilustrado foi feito com espécimes diferentes, à excepção da pré-crisálida e da crisálida que se tratam do mesmo indivíduo. Pode ver-se o fio de seda que a ajuda a manter-se segura ao substrato.
Observámos o adulto a ovipositar e aproveitámos para registar o ovo, que é bastante pequeno e facilmente passa despercebido.

4.28.2014

Cleptoparasitismo

Para mim,  as interacções mais interessantes entre os seres vivos são as do género da que relato seguidamente.
Peço apenas desculpa pela parca qualidade dos registos.

Vimos diversos Scarabeus laticollis a fazer rolar bolas de excrementos para serem posteriormente colocadas em buracos escavados no solo. Quando a fêmea está pronta para se reproduzir, a função destes excrementos é a de servir de alimento para as larvas.

No entanto, as larvas de Scarabeus  não serão as únicas a alimentar-se: é que muitos Sphaeroceridae estavam atentos e também eles prontos a colocar aí a sua descendência.

Na foto pode ver-se, com alguma boa vontade, as moscas em torno do atarefado escaravelho.
É um exemplo de cleptoparasitismo interespecífico (entre 2 espécies distintas)  Ou seja, um indivíduo rouba um recurso a outro que, sozinho, não poderia obter (ou gastaria muitos meios para tal).

Sphaeroceridae

Scarabeus laticollis, sendo possível observar uma mosca sobre os élitros.


Ovos de Tabanidae


Observei vários aglomerados destes espectaculares ovos próximos de água, sobre raminhos e folhas. Quando as larvas eclodirem hão-de cair directamente sobre a água onde se irão desenvolver.

As larvas de Tabanidae são sobretudo predadoras ou, ainda que facultativamente, detritívoras. Podem predar outros invertebrados, tais como caracóis aquáticos e outras larvas de moscas, incluindo as da sua própria espécie.

4.26.2014

Monte Barata


Passámos os dias 11, 12 e 13 de Abril pelo Monte Barata, situado no Tejo Internacional e adquirido pela Quercus em 1992.
Devo dizer que, além de muito bonito, é um local bastante interessante no que diz respeito à diversidade biológica.

Neste post vou falar um pouco sobre a área propriamente dita e,  nos próximos, irei destacar algumas espécies de invertebrados que tive a possibilidade de registar.




O Monte Barata, ao longo dos seus 420 hectares, tem variados habitats de cariz mediterrânico: a formação dominante é o montado de sobreiro (Q. suber) e azinheira (Q. rotundifolia), contando com matagais, rosmaninhais, galerias ripícolas; assim como olivais e pastagens.

O coberto arbustivo é constituído por giestas, tojos, estevas, mendronheiros, pilriteiros –  que quando em flor são excelentes para insectos polinizadores –  pereira-brava, incluindo ainda o tamujo (Flueggea tinctoria) que se trata de um endemismo ibérico.

Montado
Ribeira do Marmelal
Pilriteiro (Crataegus monogyna) em floração

Quanto à fauna, segundo o folheto informativo que nos ofereceram, no Monte existem identificadas até ao momento: 132 espécies de aves, 14 de mamíferos, 14 de répteis, 11 de anfíbios e 132 de insectos no geral (dos quais 94 são lepidoptera e 14 são odonata).
Claro que a lista dos insectos está muitíssimo aquém da verdadeira riqueza do local.

Aqui existem diversas espécies de vertebrados vulneráveis ou em perigo de extinção, tais como a cegonha-negra (Ciconia nigra), o abutre-preto (Aegypius monachus), o gato-bravo (Felis silvestris) e o morcego-de-ferradura-mediterrânico (Rhinolophus euryale).

Aegypius monachus. Esta ave necrófaga pode atingir 3 metros de envergadura e considera-se rara em Portugal, sendo que o lugar onde ocorre com maior frequência é, exactamente, o Tejo internacional.



3.23.2014

Ansião e Vale das Buracas do Casmilo

No dia 16 de Março fui dar um passeio até Ansião e, na parte da tarde, às Buracas do Casmilo, um local magnífico.

Este lepidóptero pertence à espécie Aphelia peramplana (Tortricidae). Os estados imaturos alimentam-se de plantas da família Asparagaceae, como por exemplo Urginea maritima na qual as lagartas enrolam as folhas para se protegerem. Esta foi registada em Ansião de onde também trouxe uma lagarta da mesma família que encontrei em Euphorbia characias.



Já no percurso das Buracas do Casmilo, parámos junto a um charco temporário e aproveitei para registar as P. perezi. Ao aumentar a foto, que tem pouca qualidade, reparei que estavam a ser sugadas por Ceratopogonidae.
 Esta família de Nematocera é constituída por espécies  pequenas que rondam entre 1 a 5 mm, são geralmente escuras e, na sua maioria, têm a capacidade de picar. Os adultos em muitos casos alimentam-se de néctar mas o sangue serve como fonte de proteína para a produção de ovos, pelo que são as fêmeas que picam. Podem alimentar-se do sangue de diversos animais, incluindo humanos e transmitir doenças.
As larvas desenvolvem-se numa grande variedade de habitats aquáticos, como charcos, rios, água acumulada em poças; havendo géneros que estão associados mais a habitats terrestres, incluindo ninhos de formigas.

Habitat (Charco temporário)

Deixo também aqui algumas das outras espécies que achámos. 

Lasiocampa quercus
Orchis conica
Polygonatum odoratum

3.15.2014

PNSAC e Salreu

Os campos já pululam de vida e há que aproveitar este tempo, por isso, no último dia 7 de Março fui até a Salreu e passei os dias 8 e 9 pelo Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, neste último com a companhia de Francisco Barros que por lá é vigilante da Natureza faz mais de duas décadas. Acompanhei-o na sua tarefa de monitorizar os algares onde nidificam as gralhas-de-bico-vermelho (Pyrrhocorax pyrrhocorax).

Antes de mais, começo por deixar alguns registos de insectos de Salreu. Um deles é esta mosca espectacular pertencente ao género Bicellaria (Hybotidae).


Poecilus sp.
Possivelmente Sphenophorus sp. (Rhynchophorinae)
Passando agora ao PNSAC, aqui está um registo das gralhas. Trata-se de uma espécie inconfundível que ocorre em poucos locais e que, infelizmente, é rara. As da foto são parte do bando que estava acompanhado por muitos estorninhos (Sturnus unicolor). 

Pyrrhocorax pyrrhocorax
Uma das melhores surpresas que tive foi achar um feto que há muito procurava: Ophioglossum lusitanicum. Passa facilmente despercebido por causa da diminuta dimensão, porém, o seu aspecto é muito característico. Em Portugal ocorre outra espécie do mesmo género, O. vulgatum, também, claro está, na minha lista de espécies a observar. 



Um outro feto bastante diferente do último e que por cá, dependendo das localizações, não é comum.
Phyllitis scolopendrium
Arabis sadina (Brassicaceae) e Narcissus calcicola (Amaryllidaceae) são dois endemismos lusitânicos e estão presentes no Parque.

Narcissus calcicola
Arabis sadina
Também pude observar alguns fósseis marinhos, entre eles, este ouriço-do-mar de fortes espinhos.




2.24.2014

Mata da Margaraça (PPSA)

Quando pensei em visitar a mata da Margaraça, localizada na Serra do Açor, pesquisei um pouco sobre os seus valores naturais e, repetidamente, li que se trata de uma relíquia da flora autóctone da região centro. Sem dúvida que o é.
Numa zona cada vez mais alterada por monoculturas e espécies invasoras, esta mata é um precioso reduto de biodiversidade.

Foi muito agradável percorre-la e embrenhar-me por entre as árvores, pisar a densa manta morta, atentamente descobrir os mais interessantes seres vivos (incluindo a espécie que motivou a saída). Enfim, apenas lembrar-me de que é um espaço tão pequeno e rodeado por zonas tão modificadas, pôde minimizar a alegria.

O estrato arbóreo deste bosque é dominado por Quercus robur e Castanea sativa mas a flora em geral, incluindo outras árvores e arbustos, é bastante diversa: Prunus lusitanica, Corylus avellana, A. unedo, Ilex aquifolium, Viburnum tinus, uma infinidade de fetos, muitas Primula acaulis em floração, Fragaria vescaViola riviniana...

Ilex aquifolium
Rhamphomyia sp. a polinizar Saxifraga granulata
Inúmeros líquenes e musgos cobrem totalmente os troncos das árvores. Pode observar-se, entre outros, Lobaria pulmonaria e Usnea sp.


Os excrementos e cadáveres funcionam como microhabitats instáveis e efémeros que, em pouco tempo, congregam e suportam diversos seres vivos, sobretudo dípteros e coleópteros, dos quais Trox perlatus, muito comum por esta altura, é um exemplo.

Trox perlatus sobre o cadáver de um pequeno mamífero
Este fungo saprófita de intensa cor azul tem distribuição mundial. Os Collembola quase passam despercebidos...


Plectania melastoma, um outro fungo bastante diferente mas igualmente bonito.


E, para terminar, uma larva de Salamandra salamandra.

As restantes fotos estão aqui.